Uma dúzia de Ovos moles para o comprovar, se faz favor!
Pelo título do post, ficaram confusos?
Decidimos mostrar que Aveiro não é a Veneza Portuguesa, e remando assim contra a maré. Primeiro, porque ultimamente nas redes sociais, está a nascer um movimento contra essa colagem à cidade italiana, resultado de uma campanha publicitária do Estado Novo, e segundo, porque apesar de termos passado 3 dias em Aveiro, não chegamos a percorrer os canais.
Assim, para além de evitarmos sermos linchados, ainda tornamos a visita a Aveiro amigável, a quem tem medo de andar de barco. Ganhamos uns pontos extra pelo esforço?
Pelo nosso post anterior, relativo às Montanhas Mágicas, já devem ter percebido que éramos do distrito, e como tal, não poderia escapar Aveiro, a cidade.
E visto que já mencionamos a montanha, que tal aproveitar nesta incursão, devido à proximidade, para falarmos também do mar?
Aveiro – cidade romântica e doce

Falar de Aveiro sem falar do mar, é não contar a história de Aveiro. Já desde do X século que era explorado aqui o sal, pelos Romanos. A juntar ao sal, também a pesca foi em parte responsável pelo desenvolvimento da cidade de Aveiro.
Mas nem sempre a vida foi feliz em Aveiro, sendo que no século XV, devido a uma tempestade, a ligação entre ria e mar foi obstruída, provocando problemas sanitários devido às águas paradas, sendo que nessa altura a população reduziu drasticamente.
Mas tudo isto são águas passadas, e hoje Aveiro transpira glamour. Temos os canais habitados pelos Moliceiros, parques, uma universidade de renome, e claro, acesso rápido a uma costa maravilhosa composta por praias famosas como a Costa Nova e Barra.
Como cidade, Aveiro é amiga dos peões, é uma cidade plana, e para quem não quer gastar as solas dos sapatos, pode optar pela BUGA (bicicletas de aluguer gratuito) para conhecer a cidade, sendo que nós optamos por confiar mais nas solas das sapatilhas.
Começamos estacionando o UMM junto a um dos canais da Ria, no parque dos remadores olímpicos, local gratuito, mesmo na baixa da cidade, e voilá!

Fomos em direcção ao centro, passando pelo cais de Botirões, e aproveitando para visitar o Mercado do Peixe, local de venda ao público de peixe, estabelecido em 1904.

A Praça onde se insere o Mercado ganha vida própria à noite, como local de encontro para a noitada graças aos bares que lá se encontram. Venda de peixe de manhã, venda de álcool à noite…tudo para dar certo, agrada graúdos e miúdos.

Depois subimos até a Capela de São Gonçalinho (Santo Casamenteiro, para os casais que nos estão a ler, e ainda não deram o nó), onde o ritual festivo é acertar na testa do povo com as cavacas, que são doces típicos, e por sinal, bastante duros (segundo o feedback que obtivemos de pessoas que trabalham nas urgências, a suturar, nesta época festiva). Para quem não anda de capacete normalmente, avisa-se que a festa é no Domingo mais próximo do 10 de Janeiro.
Aproveitamos que estávamos na Praça 14 de Julho, e tomamos o pequeno almoço…e fomos assaltados! 16 euros por 2 chás e 2 pães torrados (a Maria achou o local pitoresco para beber um chá…pfff)! Estamos certamente na profissão errada…Vamos montar uma torradeira e um fogão a gás na traseira do UMM e começar a fazer negócio!

Após a lambada psicológica, seguiu-se para o Forum Aveiro, um shopping diferente do habitual, visto que é ao ar livre, e com uma decoração bastante bonita, e aproveitamos para atravessar o canal pela ponte cheia de laços, similar a ponte cheia de cadeados que se encontra em Paris (Calma, não estamos a dizer que afinal Aveiro é a Paris Portuguesa! Podem arrumar os paus e as pedras!)

De seguida, visitamos o mercado Manuel Firmino, o qual nos surpreendeu pela claridade interior e a mistura de cores, quer pela decoração, como pelas flores a venda.

Continuamos pela Avenida Lourenço Peixinho em direcção à estação de comboios antiga, onde verificamos que a mesma se encontra em processo de renovação. Pelo que vimos, estava mesmo a necessitar a intervenção.

Passamos em seguida pela antiga fábrica Jerónimo Pereira Campos (antes fabrica de tijolo e telhas, agora centro cultural e de congressos), e estivemos a apreciar os peixes enormes que populam a ria, e os patos a dormir ao sol, boa vida.

Já que estávamos próximos, subimos as escadas do “I ❤ Aveiro” para as fotografias “à lá” Instagram, e seguimos em direcção à Sé, que fica ali um pouco tímida, num canto de uma rotunda. Nascida como Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia em 1464. Em 1938 ganhou o estatuto dos dias de hoje, Catedral da Diocese de Aveiro. No interior salta à vista o órgão de tubos de 1754, que se encontra desactivado e um mais recente que faz as suas vezes (o tocador deve ser alemão, já que as legendas dos botões estão todas nessa língua, e não percebemos patavina…mas também não sabemos tocar órgão).

Dali, apertamos as atacas das sapatilhas e fomos até ao parque da cidade (parque Infante Dom Pedro). Saltamos a entrada principal, e fomos pela ponte pedonal da discórdia, um passadiço metálico, que mais parece ser o bombo da festa, onde os Aveirenses ainda tentam perceber o intuito do mesmo.
O parque, construído em 1862, é muito bonito, apesar de requerer manutenção, e vale a pena a visita, nem que seja somente para ver a escadaria com a fonte ao centro.
Ding Dong, hora de encher a pança. E onde? Obviamente, fomos ao “Refúgio do Drinks”, local bastante conhecido pela comunidade estudantil (pelo menos no local onde antigamente se situava…até ser construído um tal de passadiço metálico…), comer a bela salada de atum, e a acompanhar uns saborosos sumos naturais..A malta de vez em quando tem que manter a linha, que os cavalos do UMM tem tendência a diminuir e não a aumentar!
Após recuperar energias, meia volta volver, e fizemos o caminho de volta até à Praça do Marquês de Pombal, onde apanhamos a rua dos Combatentes da Grande Guerra. Esta rua é bastante engraçada, e dali fomos em direcção à Praça General Humberto Delgado, que nos parece ser o centro da cidade, onde dali se chega a todo lado. Aqui temos as conhecidas estátuas (a Parceira do Ramo, o Fogueteiro, o Marnoto e a Salineira) dos trabalhadores tradicionais de Aveiro.

E, logo ali plantado na água, o edifício da capitania, um exemplo de edifício de Arte-Nova, e onde antigamente existia um moinho de maré.

Por falar em Arte Nova, aqui é a zona onde se encontram mais edifícios com este tipo de arquitectura. Na linha da frente ao canal, esteja atento a um edifício mais trabalhado, e voilá, encontrou o museu de Arte-Nova.

E já que queimamos umas quantas calorias, bastantes, fomos a pastelaria “A Barrica”, comer os famosos ovos-moles, vencedores de vários prémios.
Em direcção ao estacionamento, passamos pelo Rossio, outro ponto de discórdia entre os Aveirenses…Não sei o que se passa com a câmara municipal…Deve ser desporto enervar os habitantes. Depois do passadiço metálico, agora querem criar um parque de estacionamento no local onde agora está o Parque do Rossio. Mas pronto, tudo se há de resolver, esperamos nós, que Aveiro bem o merece!
Salinas

Desde que ouvimos falar em banhos nas salinas, e suas propriedades medicinais, que ficamos curiosos acerca do tema.
E já diz o ditado que a curiosidade matou o gato, e neste caso, a curiosidade gelou o gato. Íamos os dois fisgados que como íamos a banhos nas salinas, com agua mais parada, que a temperatura da mesma seria agradável…Resposta errada, estava bem gelada. O Filipe para se molhar teve que entrar aos poucos, tipo 30 minutos até ter água pelo pescoço!
Nas mesmas salinas, existe um Spa salino, que consiste num pequeno local onde tem água com elevada concentração salina, com cerca de 5cm de altura e onde nos deitamos a relaxar nessa água. Segundo lá lemos, tem propriedades esfoliantes…Esfoliantes, nao sei, mas que essa água tem um poder descomunal de descobrir onde temos feridas por cicatrizar, ai isso tem, ao revelá-las com um ardor tremendo. Não andem à bulha com o vosso gato antes de vir as Salinas.
Após os banhos, a Maria queria tirar uma foto as salinas do outro lado do canal, onde tem os montes de sal. O Filipe ficou no UMM a passar pelas brasas, porque tinha ficado no dia anterior até a 1h de volta do mesmo na oficina TerraX4. Após uma meia hora, o Filipe acorda meio estremunhado e já com baba…E Maria de grilo! Olha para o relógio, e vê que já passou bastante tempo e começa a pensar que deve ter caído em algum lado. Assim que ele se prepara com o equipamento da Patrulha Pata para o resgate, sai a Maria do meio das Salinas, toda arranhada nas pernas e cheias de picos, a dizer “Acho que consegui a foto!”.
Do outro lado da estrada, atravessando a ria, existe o Ecomuseu Marinha da Troncalhada, um museu ao ar livre, onde mostram a produção artesanal do sal. Como já era tarde, acabamos por não visitar.
Passadiços Ria de Aveiro

Para quem conhece os passadiços do Paiva, quando ouve falar em passadiços, fica logo com as antenas ligadas! Ei, isso tem muitos degraus? Deve ser uma estica? Felizmente, ambas as respostas são: Não! Não tem degraus, e o percurso ida e volta tem cerca de 7 a 10 km, dependendo de onde se começa (Canal de São Roque ->10 km, ou Cais da Ribeira de Esgueira ->7,5km).
Optamos fazer o percurso de manhã cedo, é mais tranquilo, e com o chilrear dos pássaros na sua azáfama matinal. O percurso é bastante agradável, zonas com sombra, e dois “tascos” pelo caminho, em que pelo menos um deles tem pouca oferta (o primeiro).
Já agora, aqui vai uma dica, vejam antes de planear a caminhada, as marés. Com a maré baixa, fica a faltar o je ne sais quoi. Como poderão adivinhar, nós não prestamos atenção a isso, e apanhamos maré baixa…Fomos as cobaias para vocês agora estarem precavidos.
Bacalhoeiro Santo André

A partir de agora, saímos do concelho de Aveiro e entramos no concelho de Ílhavo. Apesar da proximidade, toda a zona costeira pertence a Ílhavo, sendo que praia pertencente a Aveiro, é apenas e só, São Jacinto. E para usufruir da mesma, tem que se atravessar a ria, de ferry para lá chegar, ou ir por Estarreja para passar pela ponte sobre a ria na Torreira – vai dar uma granda volta!
Aveiro é pródiga em Museus, mas infelizmente, em 3 dias, com praia não dá para visitar todos, logo tivemos que fazer escolhas. O museu marítimo era escolha de ambos, a seguir a Maria queria visitar o Museu da Vista Alegre, e o Filipe queria ver o Bacalhoeiro, pronto, ficou a escolha feita.
Aqui nesta paragem, o plano não correu como previsto (Sorry, Hannibal Smith!), estragando-nos assim as contas. O museu do Bacalhoeiro Santo André (e o Marítimo), aos Domingos apenas abre a partir das 14h…Mas como nem tudo pode ser mau, ao 2º Domingo de cada mês, também são grátis! Que coincidência!
Ainda fomos à bilheteira para comprar bilhetes nos 2 primeiros museus até perceber que era grátis, e as senhoras a olharem para nós, tipo: Quê? Vêm ao museu no único dia que é grátis e ainda por cima querem pagar? Gente maluca…
Como acabamos os Passadiços por volta das 11h para evitar o pico de calor, queríamos aproveitar para visitar logo o Museu, mas correu mal. Andamos a fazer tempo pelo Jardim Oudinot e aproveitamos para almoçar junto à ria.
Chegada a hora, lá fomos ao Bacalhoeiro, e sem dúvida que vale a pena a visita. Primeiro, porque ficam com a noção do que é viver meses a fio num local tão confinado (pior, provavelmente, só num submarino…que o Filipe também adoraria visitar), e depois, em vários locais do navio, tem televisores onde passam as entrevistas realizadas a antigos trabalhadores do navio. Gostamos da entrevista ao cozinheiro!
Museu Marítimo

O museu Marítimo foi uma óptima surpresa. Íamos atrás do aquário do bacalhau e encontramos um museu bastante interessante, com diversas embarcações, utensílios usados pelos marinheiros, uma grande colecção de conchas e búzios de diversas partes do mundo (a loucura para a Maria, e quase que teve que ser arrastada dali pelo Filipe). No final, o Filipe descobriu algo que não sabia, sobre um tema que sempre lhe interessou, a 2ª Guerra Mundial, que duas embarcações bacalhoeiras (Maria da Glória e Delães) tinham sido afundadas por submarinos. Ambas as embarcações eram da terra, tendo sido construídas na Gafanha da Nazaré.
Museu Vista Alegre

A Maria sempre gostou de louça e juntou-se o útil ao agradável, e fomos visitar o museu da Vista Alegre. Logo à entrada somos surpreendidos com o tamanho de um dos fornos usados para fabricar a porcelana. Lá dentro, fomos vendo a evolução da arte, e as diferentes colecções que foram fabricadas ao longo dos anos. Ficamos fascinados com uns candeeiros que parecem uns cogumelos, muito bonitos!

À saída do local, não prestamos atenção à sinalização e perdemo-nos no que era a urbanização pertencente à fábrica, onde antigamente moravam os trabalhadores, e ainda bem que nos perdemos, porque ainda mantém a traça antiga e parece que voltamos atrás no tempo.
Areão

A partir da Vagueira, entramos num estradão de terra (entrada junto a ponte que atravessa a Ria) e fomos a acompanhar a ria até chegar a praia do Areão. A chegada fomos recebidos com um mar super calmo, e um pôr do sol fantástico. Fechou em beleza o dia.
Vagueira

Acordar de manhã cedo em dia de férias devia ser considerado crime…excepto se for para ver algo interessante como uma tradição já antiga e que corre o risco de ser extinta, a arte xávega.
A arte xávega consiste na pesca artesanal feita com rede e por arrasto.
E a Vagueira ainda é um dos locais onde se pode assistir a esta arte. E como não tem horário definido, porque o mar é quem manda, convém chegar cedo para não falhar.
Bem, falhamos… Já só apanhamos a parte final da apanha do peixe e das gaivotas, que são mais que as mães, a andar à bulha pelos restos…o que também tem piada!
Costa Nova

Costa Nova é conhecida pelas fotos, que navegam pela internet, das casas às listas, que felizmente parece ser ordem do rei que quando se restaura alguma das casas, há que manter a traça original. Mas a Costa também tem outra característica interessante, que é ser banhada pela ria e pelo mar. Ou seja, está farto de ria? É só “atravessar a estrada” e já está a dar um mergulho no mar.
Aqui aproveitamos a paragem, e fomos até ao bar de praia, beach club, relaxar um bocado com um lanche de pão com queijo e sumos naturais. A vida é bela!


Barra

E aqui foi a praia escolhida para fechar os 3 dias por Aveiro. Utilizamos o novo acesso construído recentemente para acesso à Barra e à Costa Nova. No início parece confuso, mas depois parece um carrossel, o que até se torna divertido.
Pena a nossa visita não calhar a uma quarta-feira, visto que é o único dia que o Farol está aberto a visitas ao público (da parte de tarde). Farol este, datado de 1893, em que a luz emitida inicialmente era através da incandescência dos vapores de petróleo. E já que a malta gosta rankings, à data de construção, era o 6º maior do mundo, dos construídos em alvenaria de pedra. Hoje, baixou para o 26º posto a nível mundial, mas 2º a Europeu!
Junto ao farol, devido aos paredões, criou-se uma enseada, onde o mar é mais tranquilo. No entanto, ou chega cedo, ou então terá dificuldades em encontrar o seu cantinho na areia.

Até já moliceiro!
Foram 3 dias, que souberam a pouco, mas no final, parecia que tínhamos feito uma prova de atletismo, tal o cansaço nas pernas, e o UMM parecia que tinha andando a lixar pladur, tal era a poeira que levava para casa, sendo que se começa a chegar a conclusão, que quanto mais nos divertimos, mais trabalho o Filipe tem a lavar o UMM…
Um pequeno conselho para a visita a Aveiro, trazer sempre um agasalho, mesmo no verão, faz sempre vento fresco e as manhãs e noites podem pedir um casaco.
Podem ver mais fotos -> AQUI <-
E aqui fica um vídeo
Se tiverem alguma duvida, já sabem, não hesitem em contactar!